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sábado, 20 de maio de 2017

Lembrar as coisas boas

Um elemento importante na cultura dos povos é a música e as suas cantigas. Sem televisão que não havia, serviam de bálsamo aos corpos cansados de tanta labuta!
Nos ajuntamentos, cada um fala desse tempo e lembra as coisas boas de Forninhos. Do ponto de vista de uns eram as ceifas e malhas, para outros eram as concertinas, para outros ainda, eram os bailaricos ao som do realejo. Sendo assim, hoje recordo um grupo de música popular que nos anos 90 recordava e cantava as nossas cantigas, mas que rapidamente se extinguiu.


Ceifa do pão com os cânticos populares, genuínos da nossa gente...e da malha a mangual feita por grupos de homens muito bem sintonizados; as mulheres limitavam-se a juntar a palha que se afastava com as pancadas fortes dos manguais e juntar os grãos com uma vassoura rasteira, de giesta, é o que esta gente de Forninhos recorda ao recriar a ceifa e malha do pão, na 4.ª Feira Internacional da cidade da Guarda, 1990.



As conversas dos mais velhos ainda hoje giram à volta de histórias dessas épocas, de quando a rapaziada pegava no ti Carlos Melias com a sua concertina acompanhada de ferrinhos e davam a volta ao povo cantando modas que a concertina tocava. Depois vem a inevitável recordação dos sons dos foguetes a estalarem na passagem dos exames da 3.ª e 4.ª classes e também das contradanças e dos bailes no largo da Fonte da Lameira.
- Que tempos bonitos aqueles!
- Bons tempos, belas músicas de concertina, assim lembram com saudade. 
- Que saudades desses momentos de união!
- Hoje a dança é outra!
Comenta quem viveu num ambiente, sem artifícios...

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Festa do Divino Espírito Santo

É como imenso prazer e com a certeza de que vai ser uma linda festa que vos dou a conhecer o cartaz da Festa do Divino Espírito Santo:


Da Igreja Matriz rumo ao Santuário de Nossa Senhora dos Verdes:

10h15 - Saída da Procissão de Esmolfe e Sezures
10h30 - Saída da Procissão de Dornelas
10h45 - Saída da Procissão de Forninhos
11h45 - Chegada da Procissão de Penaverde.
12h00 -Missa Campal
13h30 - Almoço (piqueniques)
15h00 - Oração do Terço

Este lugar secular, continua ainda como que por milagre, a trazer as gentes dos povos vizinhos, mesmo em dia de trabalho, como os seus antepassados o faziam. Algo existe para esta devoção e os move...

A não perder a actuação do Grupo Musical "RHP" na noite de domingo, dia 4 de Junho e da "3.ª GERAÇÃO" na tarde de Segunda-Feira do Espírito Santo, dia 5 de Junho.

Que tudo corra a preceito e apareçam ... espero.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

À SENHORA DE FÁTIMA

Quarenta anos atrás e desta forma singular e singela, Forninhos prestou a seu modo o tributo à Rainha de Portugal. Não através de Francisco, Lúcia e Jacinta, mas de Alzira, Quiel e Céu. 


Afinal estes meninos, como que transmitem a mesma paz e esperança que os videntes, num meio rural semelhante. Também eles sabiam o que era a pastorícia e o trabalho do campo, a lavoura.
A nossa pátria está engalanada, esperando sua Santidade num dos mais difíceis dias do mundo, mas de coração aberto o acolhe, tal como a Senhora no milagre do sol, abriu o coração em terras Lusitanas a mais de setenta mil almas, crentes e não crentes e os iluminou.
A nossa aldeia tem um culto muito grande a Nossa Senhora de Fátima e os seus registos são múltiplos, em azulejos, altares e outros memoriais, mas agora e sempre, o mês de Maio será sempre o de Maria, Regina!

quarta-feira, 3 de maio de 2017

E tudo o tempo levou...



Mais uma equipa do passado em pose clássica que prova que desde muito cedo realizavam encontros de futebol em localidades vizinhas. 
O equipamento era do "Os Belenenses", azul e branco com gola de atilhos; o emblema também era igual ao Clube de Belém. 
Curiosamente quando em 1983 é fundada a Associação Recreativa e Cultural de Forninhos como símbolo adoptam aquele emblema, constituído por um escudo branco, a Cruz de Cristo ao Centro e as iniciais (ARCF)  postas em preto nos quatro espaços brancos. 
Que pena hoje a Associação estar em estado de hibernação e não haver vontade para inverter a situação ou menos para os mais novos valorizarem o passado e porque é de pequenino...

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Nomes de Família

Hoje é assim: "A escolha do nome próprio e dos apelidos do filho menor pertence aos pais; na falta de acordo decidirá o juíz, de harmonia com o interesse do filho" - artigo 1875.º, n.º 2, do Código Civil".
Mas noutros tempos como era?


Forninhos: meu baptismo

Ao que apurei, outra gente se metia nesse assunto, pelo menos os padrinhos de baptismo, o pároco e o delegado da Conservatória do Registo Civil. Por exemplo, o delegado chegava a impor que o filho mais velho levava o primeiro nome próprio do pai. Dou um exemplo bem real da minha família, pela via materna:

Pai
António Rodrigues
Filho mais velho
António Augusto Rodrigues (o nome real do meu avô era António Augusto Rodrigues, mas desde pequeno que era conhecido por "Antoninho Matela").
Mãe
Maria dos Santos

Os filhos por vezes só levavam o apelido do pai e não tinham direito a qualquer apelido por parte da mãe. 

Pela via paterna:
Pai
Eduardo Albuquerque
Mãe 
Teresa de Jesus
Filhos:
António Albuquerque
Maria dos Prazeres (uma pessoa podia receber apenas dois nomes próprios comuns e nenhum nome de família).
José dos Santos Albuquerque
Clementina Albuquerque
Rita Albuquerque
Ilídio Albuquerque

Eu também herdei o "Rodrigues" pela linha materna e o "Albuquerque" pela via paterna, mas gostava de ter herdado o nome de família da minha avó paterna, que já vem desde pelo menos os meus trisavós: "José Dias de Andrade" e "Carolina de Andrade". 
Gosto da combinação "de Andrade Albuquerque", que o meu pai, José Samuel, herdou. Mas o meu pai podia ter-se chamado "José Samuel Coelho Albuquerque" pois "Coelho" era o último apelido  da minha avó Maria, que não aparece no nome de ninguém lá de casa...Neste caso a minha avó Maria, Maria de Andrade Coelho, conhecida por "Maria Coelha" não herdou o Albuquerque do pai "António Coelho de Albuquerque" e note-se que à excepção do tio Zé Carau, todos os seus irmãos tiveram direito ao "Albuquerque". Mas a geração dos meus avós não foi a última "marcada" por estas anomalias. Acho que só a partir da minha geração as coisas entraram mais nos eixos.




Outra disparidade e irregularidade, que podiam bem ter-se evitado, se o tal delegado não se metesse no assunto, é o do registo da data do nascimento. O meu registo é um bom exemplo. O meu documento oficial diz que nasci a 4 de Janeiro, embora tenha nascido a 29 de Dezembro e não foi porque houve atraso no meu registo de nascimento. Contam-me os meus familiares que o Sr. da Conservatória do Registo Civil achou que a menina (eu) devia ficar registada no ano novo e assim foi. Fiquei registada num dia, mês e ano diferentes!
Sempre festejei o meu aniversário a 29 de Dezembro e só uso o nome próprio e o último apelido, que é o Albuquerque que herdei por via paterna, mas o meu avô paterno, José dos Santos Albuquerque, o meu pai e o seus irmãos nunca foram conhecidos pelo apelido Albuquerque, mas sim pelo apelido que a aldeia os rotulou - "Cavaca", sem que eles se importassem com isso. Isto é igual em todas as aldeias...as pessoas são conhecidas pelas alcunhas...
Curioso é que o nome de família do avô e bisavô maternos do meu pai era também Albuquerque.



Nota: as fotos que publicam são do meu baptizado, porque antes do delegado da Conservatória do Registo Civil, eram os padres quem registava os nomes.

terça-feira, 25 de abril de 2017

1974-2017 - 43 Anos de Liberdade

«Um abraço para todos neste dia ESPECIAL.
Sobretudo para todos os que usam a Liberdade com Saber e muita Coragem, com inteligência e Respeito.
Um abraço para todos os que nos últimos 43 anos perceberam que a Liberdade é um bem adquirido e que tem regras, limites e fronteiras. A Liberdade não foi criada para roubar, para ultrajar o outro.O vizinho, o familiar ou o amigo.
O empregado ou a empregada, o assalariado.
O pai, a mãe, o avô ou o filho.
A Liberdade chegou há 43 anos e que para tal acontecesse muitos sofreram nas mãos do Absolutismo e da Ditadura.
Muitos morreram e nem o corpo(s) foi encontrado(s)...
Um abraço Especial para este Espaço que permite que uma Terra e um Povo sejam recordados na sua História e Raízes.
Onde também se contam estórias de arrepiar de pobreza e miséria, muita resistência!!
Pena que o 25 de Abril de HOJE não honre muitas vezes os nossos antepassados e muitos prefiram mandar pedras e esconder as mãos. Daí os muros que todos os dias nascem.
Dai as ameaças bélicas e os navios de guerra a cruzarem os Oceanos.
Para quem não sabe usar a Liberdade o sono de logo à noite vai ser muito pesado.
Para quem respeitou e quis a Liberdade sem sofrimento eis um sono leve que se aproxima.»



O blog dos forninhenses escolheu esta música do Pedro Abrunhosa para acompanhar esta passagem do amigo António Gouveia que dá assim este belo contributo para a nossa etiqueta de "Escritos".